Ricardo’s blog

Just my imagination

17

de
junho

Eu como carmista não aprovo

Primeiro foi a maquiagem nos discos ao vivo. Quando The Eagles fizeram isso, num disco live, em 1975, foi a maior chiadeira. Ora, se o bom do disco ao vivo era captar a energia, colocar gravações em cima das fitas era um tremendo golpe.
Depois veio a Natalie Cole cantando com o pai , já falecido. Essas gravações ghost foram , por algum tempo, moda.
Quando surgiu o cd , veio a ideia da remasterização. Bem, vá lá.
Mas acho que foi o Clint Eastwood, no filme Bird, que cometeu um pequeno assassinato. Pegou os solos do Charlie Parker, tirou os acompanhantes originais e tacou uma banda nova.
Ficou que nem moleque que coloca som do Deep Purple na vitrola e começa a solar em cima.
E agora, vem o Ruy Castro, mais o músico Henrique Cazes e faz o mesmo com a nossa Carmen. Alegam os dois que é para conquistar a moçada. Sinceramente…
É pegar uma coroa e tacar fotoshop.
Sinto muito, mas prefiro escutar a Carmen original.

11

de
junho

Holiday

Um dia, eu achei numa biblioteca pilhas e mais pilhas da National Geographic. E o que mais me chamou a atenção foram as propagandas de viagem.

Pois agora saiu pela Taschen um livro chamado 20th century travel: 199 years of globe-trotting ads, editado pelo Jim Heimann.

Se a palavra turista foi inventada pelo poeta Byron, no início do século 19, ela sempre foi vista como algo menor, burguês, de gente que não tem classe , farofeiros em geral, americanos estridentes , japoneses fotógrafos e basbaques em geral. Até hoje, ainda há cretinos que criticam as ” hordas ” que invadem o Louvre atrás do Código da Vinci… Na verdade, o turismo é um negócio com qualquer outro e, assim, a propaganda dele é tão mentirosa quanto as outras.

Nesta semana, que voltei a trabalhar depois de deliciosas férias, já sinto vontade de viajar , de novo. Até porque, agorinha mesmo, a minha operadora de celular me ligou e falou que , como eu era um cliente que viajava muito , merecia um plano especial. Fui logo cortando o papo : sei lá quando viajarei de novo.

A gente sempre imagina lugares que não conhecemos e , na maioria dos casos, a realidade é inferior ao sonho. Além disso, quando conhecemos algum lugar já com certa idade, somos prejudicados pela nossa fragilidade física. A comida típica torna-se perigosa. O dorflex passa a ser fundamental. As malas sempre são muito pesadas . E a paciência com outros hábitos logo se esgota.

De qualquer forma, vejam esse cartaz. Bons tempos quando viajar era sonhar…

27

de
maio

Em busca das oportunidades perdidas

Um dos meus maiores defeitos é sempre perder o trem. Quer dizer, sou o rei das oportunidades perdidas. Quando a mocinha bonitinha dizia que eu era um menino bonitinho, pronto, eu não entendia e depois, bem, ela começava a namorar outro cara. Quando o disco que eu queria estava barato, bem, não comprei e depois passou a ficar caro. Não vi o filme da moda. Não vou a lugares tchans quando eles são tchans. E não adianta  fingir. Fico com a nítida impressão de ter sido o trouxa,o Charlie Brown.

Por exemplo. Vejo no site venice daily photo, só com fotos sobre a cidade de Veneza, que agora, neste fim de maio, é época de se tomar um drink chamado Spritz. Ele é feito com vinho , água com gás, bitter e limão. Tudo que era biboca veneziana me oferecia o raio do spritz. E eu agradecia, mas não tomava.

Pois bastou eu estar aqui em São Paulo e ver a foto, que me deu vontade.

Eh, Marcolino…

30

de
abril

Monologando

Ontem a Dona Denise comentou que essa minha mania de usar canetas - tinteiro , chapéus e relógios de corda vai acabar me levando para o século dezenove.

Mas se eu fosse para tão longe, lá atrás , gostaria de só escrever monólogos dramáticos.

Como Robert Browing ( queridinho da nossa leitora Beth e do Ezra Pound) , ou Tennyson ( meio esquecido, mas autor de um Ulisses maravilhoso, e também de Marianne ). Ou ainda Dante Gabriel Rossetti.

Ontem, postei um quadro do William Blake, sob o tema do Sonho de uma noite de verão, na qual percebo que seu lado poético é muito mais forte que seu talento plástico. O oposto, penso eu, se dá com o prerrafaelita Rossetti.

O monólogo dramático , enfim, é o poema que o sujeito vai se desnudando, vai se mostrando.

Sim, bem melhor que o Big Brother , não ?

13

de
abril

Bodas de prata mais um ano

Estar com a mesma mulher por exatos vinte e seis anos é um exagero.

Estar com o mesmo homem desde 13 de abril de 1984 é um absurdo.

E cá estamos nós.

Como cantou o David Bowie, this ain’t rock’n'roll. This is genocide !

7

de
abril

A entrada para o circo

Dizia Oscar Wilde que sábias eram as mulheres. Elas queriam ser as últimas amantes dos homens; já os tolos homens querem ser os primeiros amantes delas. Ora, ser a melhor escolha de um experiente seria bem melhor que ser a opção de uma tola…

Pois saiu essa semana nos Estados Unidos o livro de memórias da modelo Norris Church Mailer, a sexta e última esposa do escritor Norman Mailer. Eu fico imaginando quem se interessa por esse tipo de gente ( certamente ninguém sabe e/ou lê Mailer hoje em dia ) , mas no meu tempo de garotão, Mailer era o grande ídolo. Briguento, cachaceiro, bocudo, treteiro, Mailer seria o cara que escreveria o grande romance americano, a soma entre Faulkner e Hemingway, o cara que diria para o Gore Vidal ficar na sua. Mas Mailer foi se perdendo e acabou perdido. Tendo que pagar pensões para ex mulheres, foi escrevendo pro gasto . E morreu na eterna promessa.

A senhora Mailer, em definitivo, conta a sua vida e , nela, os trinta e três anos que foi casada com Norman. Seu livro se chama A ticket to the circus e , assim, compara seu casamento com o mundo circense. Caipirinha do Arkansas, escolhida Miss Little Rock infantil, narra as angústias de ver a mãe sendo tratada com eletrochoques, conta que perdeu a virgindade num estupro caseiro ( o amigo do seu irmão mais velho mandou ver, com autorização do brother ) , passou na cama do Bill Clinton e quando tinha 26 anos, conheceu o escritor de cinquenta e dois. Diz ela que algumas mulheres acham um homem com o dobro da idade, barrigudo e de pau pequeno sexy.

Sua vida mudou, pois passou a frequentar festas onde os convidados eram Bob Dylan e Woody Allen. Mas começou a ver o lado sombrio do escritor paparicado. Mailer tinha poucos amigos escritores, ele os odiava praticamente, dizia ser um fã de jazz mas nunca ouvia nenhum disco , tinha enorme prazer em acordar o filho dele John Buffalo com hinos militares , mesmo quando o moleque estava de férias. Norris tinha sido casada antes com um soldado que foi para o Vietnam. Pois Mailer xingava o ex dela o tempo todo. Até que um dia, ela teve que lembrá-lo que também não gostava do ex, pois se gostasse , estaria com ele…

Outra mania de Mailer era pegar garrafas de vinhos franceses caríssimos e misturá-los com suco de laranja. Dizia que era a american sangria. Quando questionado por amigos enólogos, citava Woody Allen , que bebia vinhos franceses com coca-cola e que essa mistureba era ótima para evitar cancer de próstata . Aliás, Norris conta que o que matou o seu marido, aos oitenta e tantos anos não foi o câncer. Mas foi a melancolia. Ele reclamava que depois de fazer uma cirurgia cardíaca, foi orientado a tirar seus dentes e colocar uma dentadura. Esses dentes novos nunca ficaram acertados , passou a ter dificuldades em comer , perdeu peso e , diz ela, pode ver seu próprio pênis ao tomar banho. ” Aquilo o deprimia,…”

Mailer é um escritor dos tempos que os Estados Unidos existiam. Hoje existe uma coisa gigantesca que sabe-se lá para que serve. Deve ser para alimentar os chineses e o ódio das mentes subdesenvolvidas.

E se o circo da moda é o do soleil, o ticket da Norris não serve para a entrada. 

E o que faz o John Buffalo Mailer prá viver ? Isso a mãe não diz.

5

de
abril

Nice work if you can get it

Toda segunda -feira eu penso no Edgar, um amigo meu , que trabalha na produção de revistas de mulher pelada. Isso que é emprego, não é mesmo ? Nunca ele tem aquela angústia de domingo na hora do Fantástico.

Mas o criador das fotos de mulheres lindas, sem dúvida nenhuma, foi o Peter Gowland. Com mais de 1000 capas de revistas como a Playboy, Life, Rolling Stone , todas com mulheres gostosas,Peter foi chamado de o pin up photographer number one.

Pin up , a primeira vez que escutei essa palavra foi no Exile on Main Streer , na canção Sweet black angel, onde Jagger canta que ela , sua musa, não era uma pinuo girl. Depois veio o disco do Bowie, que tem o mesmo título. Ou seja, mulher de poster. E Gowland lançou garotas como Deborah Kerr e Raquel Welch, para ficar no começo.

Peter foi criado pelo pai, ator de filmes mudos e esse ambiente de estúdios o acompanhou sempre . Casou-se em 1938 e ficou com a mesma mulher, a Alice, que lhe deu duas filhas e depois uma neta. Alice entendia o trabalho do maridão, pero com restrições. Virou assistente e mantinha marcação cerrada. Uma vez saiu no tapa com uma modelo que quis ver como o fotógrafo revelava as fotos no quarto escuro.

Gowland sempre se lamentava pois nunca Marilyn posou para ele. Escreveu um best seller chamado Como fotografar mulheres , no qual explica que nem todas as belas saem bem na foto, mas muitas feinhas viram aviões.

Ele faria agora , no dia 3 de abril, 93 anos e sempre tinha um olhar para elas. Mas no dia 17 de março, cismou de subir num banquinho para pegar sei lá o que num armário e caiu e dessa queda tudo desandou.

É o tal negócio. Velho não pode trepar. Pode, no máximo, ficar olhando. 

Eu sempre pedi para o Edgar me arrumar uma boquinha, mas a Dona Denise sempre disse que não, que eu ainda não sou velho desses que sobe em banquinho…

25

de
março

O click do rock

Annie Leibovitz o chamava de o fotógrafo do rock. Mas Jim Marshall, que morreu hoje, aos 74 anos, foi muito mais que isso. Foi o criador de ícones. Foi a imagem, o visual. Vejam essas três fotos que escolhi. Mesmo se você nunca ouviu um artista desses , já viu essa foto num poster, em alguma parede.

23

de
março

Sou eu o errado

Os fãs de caras como o … sei lá, o Marco Luque, que me desculpem, mas eu só acho graça num artista como Noel Coward.

Mas bem sei eu, sou mesmo um Ricardo errado…

www.youtube.com/watch?v=3sy1NhOF9Og

14

de
março

Um cinquentão

Claro, ser cinquentão é uma coisa que tira muito do poder de sedução. Por mais que elas neguem, elas gostam mesmo de jovens musculosos e bonitos. Por isso, sinto um pouco de pena do maior conquistador de todos os homens desde Don Juan, o personagem do ator Jorge Loredo, o Zé Bonitinho, ” o perigote das mulheres “, homem de recordes como beijar 999 mulheres por dia…

Interessante que o humor foi algo que salvou a vida do ator, que sempre foi muito doente e , por conta da sua levada cômica, teve a condição de seguir seu destino de  modo longevo. Completará em maio , 85 anos, vejam vocês.

Como todo conquistador, o importante é o catálogo. Nunca vemos o Zé Bonitinho catar uma menina. Sempre há um probleminha. Mas ele aproveita para marcar no seu moleskine mais uma gatinha que não resistiu o seu encanto.

Se o personagem tem a ver com o ator ? Ele declarou para a Folha que não, se tivesse ele nunca teria aceito fazer o papel dele mesmo. O que é mais legal , claro, é o exagero. Seus pentes enormes, seu topete e sua própria feiura( ” o chato não é ser bonito, o chato é ser gostoso”). Sua cara de burro, mas genial para a caça. É um ingênuo, um quase pateta, que sempre cairá na malícia delas, mas que se julga o malicioso.

Eu , que gosto muito de mulheres, de ser , como é mesmo, sensível, gentil, atencioso, tenho a tola pretensão de tê-lo como ídolo.

Eu e todos os homens, diga-se de passagem. Mas sabemos que se para o Zé mulher é que nem parafuso, é no arrocho, no fundo , são elas que nos apertam.

Jorge Loredo, forte abraço. De um grande admirador. Seu. E do Zé , claro.

Posts mais antigos »

Report abuse Close
Am I a spambot? yes definately
http://blogdoricardo.blog.terra.com.br
 
 
 
Thank you Close

Sua denúncia foi enviada.

Em breve estaremos processando seu chamado para tomar as providências necessárias. Esperamos que continue aproveitando o serviço e siga participando do Terra Blog.